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TRISTE CONVERSA DE BOTEQUIM
O Butiquim do Martinho era um lugar para se ouvir boa música e ponto de encontro de artistas. Também local de lançamento de discos, livros e gravação de especiais para tv e dvd. Durante nove anos foi uma referência de Vila Isabel. Não era um estabelecimento comercial comum. Tive de fechá-lo porque a nova direção do Shopping Iguatemi, não o via assim.
Na verdade, O Butiquim não era só do Martinho. Era de todas as pessoas que se afeiçoaram a ele, e até das que gostavam dele só de ouvir falar e sonhavam conhecê-lo. Principalmente era dos funcionários e dos músicos que lá se apresentavam – Neto Pandorga, grupos Nosso Canto, Toque de Arte, Velha Guarda musical da Vila...
Sempre que tenho notícia de algum empreendimento que vai à falência, fico triste. O Butiquim não faliu, mas não tive coragem de anunciar o fechamento de um lugar descrito como um recinto onde os solitários se sentem bem, acompanhados por seus copos, embora não haja nada melhor do que um amigo de bar, porque só falam de mulher, futebol, samba e política, sem discutir de forma tensa, sabido que ninguém vai a boteco para esquentar a cabeça. Também funciona como consultório sentimental, onde ora se é paciente, ora se é analista. Tal qual um templo, todo boteco que se preza tem imagens de santos, pois as mesas muitas vezes se transformam em confessionário de homens, mas, nos tempos atuais, botequim também é lugar de mulher.
Se Deus quiser, reabrirei o Butiquim do Martinho em outro lugar. Fechá-lo foi uma decisão difícil.
Tristemente,

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